3.3.15

Da luz e da sombra

Durante muitos anos o museu ao lado da minha antiga escola secundária teve uma exposição permanente que se chamava "Da luz e da sombra". Sempre que passava por lá pensava do que se trataria a exposição mas acabei por nunca a ir visitar - acho que porque gostava tanto do título e tinha algum de receio de ficar desiludido. Isto numa idade onde o meu conceito de arte era limitado aos bonecos do Dragon Ball Z e aos cartoons d'A Bola. Havia pouco interesse e pouca ou nenhuma paciência. Uns anos mais tarde a coisa melhorou...
No entanto o título daquela exposição sempre me pareceu tão universal que às vezes aplicava-o à minha própria vida: as coisas más que me aconteciam vinham da sombra e as coisas boas da luz. Mas como a luz pode produzir uma sombra também eu olhava por cima do ombro de cada vez que parecia que uma coisa boa me estava a acontecer. Felizmente que também  esse hábito mudou com o passar dos anos.

Nas últimas semanas voltei a olhar por cima do ombro.

Depois de muitos meses à procura, a jeitosa encontrou um emprego. Um excelente emprego, na àrea em que procurava e que lhe permite dar um passo enorme em frente na carreira, porque passa a ter contacto com a execução logística em todos os passos ao invés de prestar apenas apoio e suporte ao cliente e/ou processar documentação. Não há bela sem senão: a empresa fica em Amesterdão, nas imediações da estação central. Quer dizer então, que de nossa casa ao emprego ela leva cerca de uma hora e meia. São quase três horas de viagens por dia.
Quer também dizer que tenho eu de ir apanhar a Princesa à escola, dar-lhe banho, jantar e alguns dias po-la a nanar. Até aqui tudo bem, porque a miuda é mesmo digna do título de Princesa: calma, educada e muito social (depois quando lhe chega a mostarda ao nariz sai ao Pai...), o pior mesmo é haver dias onde a Maria não vê a Mamã e a Mamã não vê a Maria. E nós sabíamos que a adaptação ia ser difícil, só nunca pensamos que fosse tão dificil - chora a Maria, chora a Mamã e sobra o Pai para secar as lágrimas...

É ou não é um jogo de luz e de sombra?

Por outro lado, os nossos empregos vão bem e recomendam-se. Por aqui, o meu antecessor - que era um "contractor" - saíu no final do mês de Fevereiro, o que quer dizer que para além do meu trabalho todo, tive de ficar com o dele. Acontece que - por muito mérito que ele possa ter tido em organizar tudo quando chegou - de todos os projectos que ele me passou (foram 12) apenas 2 não têm problemas graves de execução. Ainda assim, conseguimos já desbloquear 2 projectos que estavam parados desde Novembro e tem sido basicamente esse o meu foco primário: desbloquear os projectos de maneira a que as equipas possam progredir. Significa que me atraso um bocadinho mais na parte "administrativa", mas como dizem os ingleses: "Something's gotta give".

O período de lua-de-mel já acabou mas continuo bastante satisfeito com a mudança. Sinto que faço parte de alguma coisa, sinto que faço a diferença.
O motto da Liberty é "We do what we say, we love what do. We work as one" e sinto isso diariamente.
Há uma preocupação em nos manter a todos motivados e uma vontade enorme de "get things done". Ainda hoje publicaram um vídeo na intranet que tenho pena não poder partilhar, porque é, para mim, a demonstração perfeita de como se faz Corporate Communication de altíssimo nível!

A somar a isso tudo há bilhetes à borlix para ir ver o Ajax, desconto nas entradas para a Ziggo Dome e no pacote de TV/Internet.

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