12.1.15

A Madeira Nova começa hoje

Depois de quase 38 anos na Presidência do Governo Regional, eis que finalmente Alberto João Jardim abandona o cargo. Prometeu renunciar muitas vezes mas procastinou e acaba por sair empurrado da tábua para os tubarões, de mãos atadas, qual Pirata das Caraíbas.
Nasci e cresci já o Dr. Jardim era Presidente. O fascínio de quem não sabia, foi rapidamente substituido primeiro pela desconfiança, depois revolta e finalmente pelo nojo. Foram muitos anos a criar "porcos", a fechar portas a uns e a escancarar portões para outros. Que ninguém diga que a obra feita justifica a censura, a perseguição e a retaliação sobre todos - e felizmente sempre foram muitos - os não alinhados - eu sei, porque sofri-a na pele.
Tive a felicidade de NUNCA ter precisado de favores para nada e de ter percebido a altura oportuna que mais importante que ser alinhado e aceite é ser livre e foi a ideia de liberdade que me seduziu desde que me tornei um crítico activo do Governo de Jardim e do PSD-M.

O Senhor que se segue no PSD-M é Miguel Albuquerque. Bem parecido e bem falado, como diria a minha Avó, mas é preciso que não se pense que é drásticamente diferente nem cair na tentação de criar falsas esperanças Sebastianistas. Este Senhor, enquanto Presidente da Camara Municipal do Funchal, prometeu não uma, não duas nem três, mas quatro vezes a requalificação do Bairro Social de Santa Maria Maior - numa dessas vezes, eu puto destemido interceptei-o à saída do comício e lembrei-lhe que quatro anos antes já havia prometido a mesma coisa e que eu não me tinha esquecido, ao que ele respondeu: "Veremos o que podemos fazer" e eu, destemido, contrapus que não se promete o que não se pretende cumprir e jurei naquele dia ser uma pedra no sapato dele se não cumprisse. E fui. Escrevi montes de cartas para o espaço de participação cívica do Diário de Noticias da Madeira e um dia tive resposta: uma vizinha, que trabalhava na Camara Municipal do Funchal (e este era um tacho tão grande, que vou-lhe chamar de panela de pressão), aproveitou a minha ausência para informar à minha Avó que, aparentemente, o Presidente da Camara estava "incomodado com as minhas cartas e que era bom que nos lembrássemos que viviamos numa casa da Camara". Bem, eu não posso atribuir estas afirmações ao próprio porque não passa de um diz que disse, mas a verdade é que no entretanto passaram-se mais dois mandatos, o Senhor já não é Presidente da Camara, o Bairro Social lá continua sem ser reabilitado MAS apareceu um Centro Cívico, que custou vários milhões de euros, que teriam dado certamente para várias requalificações - mas se calhar não dava tantos votos.

Convém que se leia com atenção e se perceba que Albuquerque é o Senhor que se segue no PSD-M. Não no Governo. Porque quem elege o Governo ainda é o povo. E por mais idiota que a maioria possa ser, o povo ainda é quem mais ordena.

Independetemente disso - ao menos as caras vão mudar. Já chega.

E assim me despeço de alguém que poderia ter inspirado uma geração a coisas maiores, mas que acabou, através da doutrina do medo, por ser a genese de uma revolta silenciosa que começa a se fazer ouvir.

Que comece a Madeira Nova!

1 comment:

  1. Amen to that, brother! (as tuas últimas palavras).

    Ainda bem que contaste a história, que já me tinhas contando antes, pq eu não me lembrava (ou nunca iria associar) que o gajo agora eleito "líder da torcida" era o protagonista desse (triste) episódio.
    Apesar do paleio público de mudança, ta-se a ver que é mais do mesmo, ou pronto pode ser algo diferente, mas bosta do mesmo calibre...

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